28 de dez de 2003

Por que o Brasil não cresce

O grande desafio do governo Lula, ao menos é isso que a população está esperando de imediato e o foco de pressão da mídia direciona, é o crescimento da economia brasileira em 2004. Claro que a elite governamental (Zé Dirceu, Palocci et caterva) sabe disso e trabalharão para que o crescimento venha. Após o primeiro ano de administração petista e um crescimento zero do PIB no final do período com a taxa de desemprego ao redor de 13% da população economicamente ativa (no fim da era FHC estava na ordem dos 9%) o governo necessita gerar o crescimento econômico a fim de reduzir o desemprego e as crescentes demandas sociais causadas pela falta de renda e pela pobreza que cresce na medida em que o PIB estaciona ou regride. Este é o âmago do cenário interno brasileiro. Crescimento econômico zero, renda em queda e pobreza em alta.

Para contornar esse trágico quadro, o governo tratou durante o ano de 2003 em reduzir em 10 pontos percentuais a taxa de juros, de 26,5 para os atuais 16,5%. De fato essa afrouxada na política monetária permitirá, na medida em que os agentes econômicos reduzam os juros do comércio, um aumento do consumo e um ganho de renda. Essa foi a primeira ação governamental para dar início ao ciclo de crescimento.

Desculpe o pessimismo, mas decorre que esse ciclo não perdurará. O Brasil sofre gravemente de uma restrição externa. Qual seja, a necessidade de gerar superávits na balança comercial a fim de angariar poupança externa, já que a capacidade interna de poupar está comprometida em virtude da escorchante carga tributária sobre a população. Para se ter uma idéia, em 2003 o Brasil teve um saldo na balança comercial ao redor de R$ 25 bilhões. Uma cifra espetacular. Isso explica-se, por que o medíocre crescimento econômico não permitiu uma demanda por produtos estrangeiros, que por outro lado, adquiriram bastante do Brasil.

Os reflexos da queda na taxa de juros no decorrer de 2003 só serão sentidos agora em 2004 onde teremos um aumento da demanda gerada pelo afrouxamento monetário. Esse aquecimento da economia, segundo estimativa do otimista Luiz Fernando Furlan, ministro do desenvolvimento, poderá resultar num crescimeto de 4% do PIB. A expanção econômica repercutirá, invariavelmente, no desempenho da balança comercial. Eis o cerne do problema. A maior disponibilidade de dinheiro gerada artificialmente pela política expansionista das autoridades monetárias, estimulará a demanda por produtos importados que, por sua vez, pressionará a balança comercial, no sentido de queda do saldo positivo, podendo conforme a intensidade do afrouxamento monetário, resultar num saldo negativo da balança comercial. A nefasta crise cambial (que ninguém deseja) ocorrerá antes disso, exatamente ao primeiro sinal de que o desgaste na balança comercial seja irreversível.

Diante deste cenário o governo será obrigado novamente a aumentar os juros para conter a crise cambial decorrente da crise no balanço de pagamentos. Suspende-se o crescimento. Cultiva-se os perversos ciclos econômicos característicos de governos intervencionistas que insistem na idéia de que cabe ao governo fazer algo pelas pessoas ao invés de ensinar a população a usufruir a sua liberdade e assumir as suas responsabilidades individuais. O Brasil carece de liberalismo, mas está amarrado nas falsas idéias que os centros universitários difundem, os políticos empregam e, finalmente, o golpe fatal recai sobre a sociedade.

13 de dez de 2003

Duas notas sobre a burritzia: sua ideologia e religião


Quando Olavo de Carvalho afirma que a consciência nacional está doente, contaminada pelo que o embaixador J. O. de Meira Penna classificou de Síndrome da Deficiência Imunológica Adquirida à Ideologia totalitária, ou simplesmente AIDS ideológica, é impossível para quem esteja bem informado e gozando de boa saúde mental não concordar com os dois grandes pensadores brasileiros. A doença que afeta a intelligentzia brasileira – leia-se intelectuais, professores, jornalistas, artistas, escritores e formadores de opinião em geral – é o esquerdismo chique como ideologia e o ódio obsessivo aos EUA como religião sacramentada.

Basta ler o “brilhante” Jabor ou então o mestre Luiz Fernando Veríssimo para termos a descrição perfeita da imbecialidade que acomete a classe falante do Brasil. Ou então, freqüentar qualquer curso universitário, principalmente o das áreas humanas e/ou sociais para ter o retrato acabado da mesquinhez mental de nossas elites. Desde o economista até o pedagogo, o discursinho ressentido é o mesmo, apenas muda o grau de especialização de um e de outro. Dois exemplos que presenciei, embora sejam casos particulares, denotam perfeitamente o contexto geral da virose.

O primeiro foi no corredor da faculdade quando estava passando pelo prédio onde o curso de História tinha aula e dois acadêmicos, um deles um típico petista, um tanto transtornado questionava a si e a seu colega nestes termos: “como pode o Lula estar fazendo essa politicazinha do FMI, essa política neoliberal?” A conversa me chamou a atenção e fiquei por ali ouvindo, já que falavam alto e sem receio. Ora bem, primeiro uma observação: essa idéia de que a política econômica do Lula, assim como era a de FHC, seja liberal, é típica de um aidético mental que não sabe o que fala, embora tenha pompa (ou arrogância?) como seus professores esquerdistas e colegas militantes de DCE, para falar do assunto. Esses sujeitos tacanhos não sabem o que é liberalismo e em nome dele falam os maiores absurdos, como esse estudante contaminado pela AIDS mental tagarelava.

Já abordei o tema, mas é bom voltar a ele, pois algumas perguntas se impõem: Que liberalismo tem um governo (foi assim desde o regime militar) que entregou os canais de educação as esquerdas que hoje dominam estes centros e não apresentam nem um contraponto as idéias lá disseminadas? Parece que ninguém sabe, mas o ensino superior brasileiro não venera outras pessoas senão Karl Marx, Antônio Gramsci, Adorno, Foucault, Marcuse, Sartre, Keynes, Hobsbawn, Chomsky entre outros próceres do esquerdismo mundial, não dando o menor espaço que seja para pensadores liberais ou conservadores, tais como um T. S. Eliot, um Mises, um Spencer, um Johnson, um Hayek, um Voegelin ou até mesmo um Milton Friedman ou Roberto Campos. Nos ensinamentos do comunista Antonio Gramsci, isso chama-se "hegemonia cultural" e para tomar o poder de forma absoluta, Gramsci pregava o controle do aparelho ideológico da sociedade pelos comunas. O Brasil é a máxima expressão das teses do nanico esquizofrênico. Noutro aspecto, que liberalismo há em um governo (FHC) que fez do fisco um agente policial onipotente e duplicou a carga de tributos sobre a economia, passando a arrecadar 36% da renda nacional? E que liberalismo é esse de Lula e do PT (tão falado pela turma dos vaca loucas) que aumentou ainda mais a fúria arrecadatória do Estado, como atestam estudos sobre a suposta reforma tributária elaborada pelos estatólatras petistas? (FEDERASUL, por exemplo).

Mais umas sobre o suposto liberalismo do PT: Não é possível um governo que financia sovietes no campo com dinheiro público ser aclamado de liberal. Ainda mais: pois, que liberalismo há em um governo que está apoiando a China e a África do Sul (duas ditaduras comunistas) num plano de controle mundial da internet? Que liberalismo há em um governo que desarma a população civil privando-a de seu direito de autodefesa? Que liberalismo há em um governo que afaga ditadores assassinos como o último dinossauro do Caribe, Fidel Castro, e mais recentemente o coronel Muamar Kadafi, ditador perpétuo da Líbia? Que liberalismo tem neste governo que celebra acordo de apoio ao narcotráfico internacional das FARC? (www.forosaopaulo.org). Por fim, que liberalismo tem num governo que administra por medidas provisórias? Não caros leitores, nem FHC nem Lula são liberais ou direitistas. São o que sempre foram, socialistas e esquerdistas, e estão muito longe de serem o que a burritzia, para usar o perfeito trocadilho de Meira Penna, acusam de ser.

A distinção que acabamos de fazer é simples. É mesmo primária. Infelizmente, a confusão semântica provocada pela exacerbação das ideologias populistas no meio da multidão e pelo "ópio dos intelectuais" (o marxismo) nas elites pensantes, conduzem a um abuso dos termos de sentidos diferentes, provocando as mais desencontradas discussões e explorações.

Sobre a outra nota do ensaio, sobre a religião civil da burritzia ou o ódio obsessivo aos EUA, presenciei em sala de aula quando um colega comentou a notícia do espetacular crescimento econômico dos EUA no último trimestre de 2003 que beirou os 10% do PIB. Para se ter uma idéia, o Brasil não cresce a essa taxa desde o fim do chamado Milagre Econômico, na época dos militares.

Mas bem, quando o colega acabou de anunciar a notícia do espetacular crescimento americano pareceu que o professor iria sofrer um enfarte, tal foi sua reação diante da novidade repulsiva. Depois de ter engolido a saliva que não estava prevista em seu metabolismo e aliviar o mal estar causado pela novidade, o professor tentou questioná-la, estava visivelmente perturbado, não acreditava no que ouvia, e além do mais deixou transparecer que não leu os jornais dos últimos meses, pois a economia estadunidense, depois do ano recessivo de 2001/2002, desde o semestre passado voltou a apresentar crescimento econômico acima dos 7% do PIB.

O fato a se levar em consideração não é tanto a desinformação do mestre diante das notícias do mundo, pois pode ele estar muito atarefado com suas pesquisas e trabalhos que de fato não permitam o luxo de se ler o jornal diariamente. O lamentável diagnóstico a se levar em consideração é o antiamericanismo enrustido, tão característico das mentes subdesenvolvidas e latino americanas. Os EUA são a maior potência mundial e devem ser admirados pelo heroísmo em ter combatido as ditaduras comunistas ao longo do sangrento século XX; de terem após a II Guerra Mundial reerguido e reconstruído a Europa toda e mais o Japão, este até o exemplo de constituição pegou emprestado dos EUA. Livrados do perigo comunista que permeou as disputas geopolíticas ao longo do século XX, hoje estes países que se aliaram aos americanos, são os maiores concorrentes do próprio Estados Unidos!

Para o Brasil, é ele o país que mais comercializa com o nosso, sendo que o saldo na balança comercial do Brasil com os EUA vem gerando sucessivos superávits. Isto é, vendemos a eles mais do que compramos e isto tem segurado a estabilidade cambial e econômica do Brasil. Caso contrário, estaríamos num processo de endividamento ainda maior, com a inflação presente mês a mês; o bolso do brasileiro, sobretudo do trabalhador, corroído pelo pior imposto que é o inflacionário e o desemprego estaria em taxas (ainda mais) caóticas.

Enfim, enquanto a consciência nacional estiver doente, aplacada pela virose mental que molda a ideologia e a religião dos formadores de opinião, será difícil sair do caminho que nos leva à África, Cuba, Venezuela, Egito, Líbia...